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A CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO ESTÁ DENTRO DE SI!

20-05-2019

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Quando a vida nos deixa em pedaços ou quando a mente nos leva à deriva inexplicável da angústia, só nos resta uma opção: a reconstrução. Ao mesmo tempo, é necessário recordar que em cada um de nós reside uma grande capacidade de recuperação. No nosso interior, há uma matéria indispensável para unir cada pedacinho fragmentado da nossa auto-estima. Está no nosso coração o farol que nos levará de volta ao equilíbrio.

 


Quando fazemos referência ao conceito de “recuperação” como tal, cabem diversas observações. No entanto, no momento em que nos referimos à saúde mental e emocional, parece que o tema se torna um pouco mais complicado. Vamos analisar um exemplo. Quando alguém parte um braço, passa por uma gripe ou está convalescente após uma intervenção cirúrgica, ninguém tem problemas em dizer algo como “força, você vai ficar bem depressa, vai se recuperar”.

 


No entanto, o que acontece quando o que temos à nossa frente é uma depressão ou um transtorno de ansiedade? Se consultarmos o dicionário, o termo recuperação é definido como “o ato ou processo de recuperar a saúde depois de uma doença ou uma lesão”. Então, o que acontece com quem não enfrenta uma doença viral ou infecciosa?

 


Muito além do que podemos pensar, poucos desafios são tão complicados quanto aquele enfrentado por todas as pessoas que lidam com algum problema de saúde mental. As suas feridas não podem ser vistas a olho nu. Essas pessoas não usam muletas e raramente pedem afastamento do trabalho.

 


E mais, por vezes nem sequer chega-se a iniciar esse processo de cura porque as pessoas não se atrevem a pedir ajuda ou não têm consciência de que esse mau-estar esconde, na verdade, um transtorno psicológico. Dessa forma, assim como mostra um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 50% da população que tem problemas emocionais e mentais nunca recebe tratamento.

 

 


    A Conexão com o Eu

 


A capacidade de recuperação está dentro de si, mas talvez você ainda não a tenha encontrado. Porque a vida, por vezes, magoa muito e deixa-nos encurralados sem mais recursos do que o próprio medo. É nesses momentos que mais precisamos da ajuda de um especialista por uma razão: para entender o que acontece conosco e saber quais estratégias podem ser úteis para sairmos de uma encruzilhada.

 


A primeira coisa que devemos entender de qualquer processo de recuperação é que o retorno à superfície passa por introduzir mudanças, por interromper a inércia. Somos obrigados a ir além desses limites nos quais estão contidos a comodidade e muitas das relações de apego, essas que nos levam a retroalimentar círculos viciosos de sofrimento, ansiedade e infelicidade.

 


D. W. Winnicott, famoso psiquiatra e psicanalista britânico, costumava afirmar que o caminho para a cura mental passa por reclamar a própria dignidade humana a fim de se reconectar com o verdadeiro eu. Por vezes, nós deixamo-nos levar por dinâmicas internas pouco adequadas, configurando, de algum modo, um “falso eu”.

 


Essa ideia relaciona-se, por sua vez, com a tese do psicólogo humanista Carl Rogers. De acordo com o que nos apresentava nos seus livros e nas suas abordagens, nós somos obrigados a “atualizarmo-nos” constantemente. Na sua linha de pensamento, Rogers recomenda deixar de lado crenças e estados prejudiciais ou desgastantes para despertar todo o potencial do nosso ser. Esse ser que habita no nosso interior em forma de semente, esperando ser cuidada para germinar.

 

 


    Pontos-chave

 


Todo o caminho que leva à recuperação precisa de um apoio adequado. Nós temos consciência de que é essencial contar com assistência especializada e profissional. Sabemos também que é recomendado ter ao nosso lado pessoas capazes de nos entender, incentivar e proporcionar afeto e compreensão. Devem ficar de lado, portanto, aqueles que julgam ou que prejudicam voluntariamente com as suas palavras.

 


Ao mesmo tempo, é necessário esclarecer um aspecto crucial. Apesar desse meio especializado e facilitador, o processo de recuperação depende apenas de nós mesmos. São nossos a coragem, o esforço, o ato de reunir (ou não) forças naqueles dias em que só desejamos o silêncio e a penumbra de um quarto escuro.

 


Vamos analisar, portanto, quais são os pontos-chave em qualquer caminho em direção à recuperação:

 


- Encontrar a esperança e um motivo - As pessoas comprometem-se com o processo terapêutico porque, de alguma forma, esperam sair dele melhores do que entraram.


- Entender o que está a acontecer conosco - Como primeiro passo, antes de iniciar qualquer tipo de intervenção, seria sábio dedicar os nossos recursos a entender o que estamos enfrentando (depressão, ansiedade, falta de habilidades sociais, etc.). Sem o conhecimento do nosso “inimigo”, é complicado colocar em prática uma intervenção inteligente.


- Elaborar um plano - Todo o processo de recuperação demanda um plano que vamos traçar com convicção, embora sempre tenha uma certa margem para a adaptação.


- Reconectar-se com a vida de outra maneira. Uma base de hábitos saudáveis sempre será uma ajuda de inestimável valor frente a qualquer dificuldade. A automatização permite-nos liberar recursos que podemos dedicar exatamente a encarar essas dificuldades. Falamos de iniciar outras práticas, conhecer pessoas novas, deixar de lado as velhas rotinas.


- Reafirmar a cada dia a nossa melhor versão - À medida que formos nos sentindo melhor, será mais fácil valorizar as nossas habilidades. Vamos descobrindo quão grande a nossa força pode chegar a ser.


- Para concluir, falta destacar um aspecto. Este trajeto, a viagem à recuperação leva algum tempo. Vamos passar por recaídas e retrocessos. No entanto, cada passo que dermos para trás servirá, muitas vezes, para pegar impulso. Porque a recuperação é, acima de tudo, uma viagem de grandes aprendizagens e autoconhecimento.


fonte: Mente Maravilhosa

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